domingo, 22 de julho de 2018

História ambiental e ensino: dossiê LHISTE

SUMÁRIO 

Uma voz que clama no deserto: minhas experiências de educação ambiental na formação inicial de historiadores
Ely Bergo de Carvalho

O uso de iconografias de paisagem para o ensino da História Ambiental: um diálogo com a História da Arte
Ana Marcela França

A Perspectiva ambiental e o Ensino de História na Amazônia: Experiências no município de Ananindeua
Wesley Kettle

A primeira aula de História Ambiental na UFRGS: Uma experiência no Ensino de História (2012-2013)
Antônio João Dias Prestes, Elenita Malta Pereira

Historiografia social da Amazônia e história ambiental: Um breve balanço
Carla Oliveira de Lima

Uma breve História da Educação Ambiental na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, RS, Brasil
Fabiano Quadros Rückert

Da crise ambiental ao despertar da consciência ecológica: Diálogos entre a História Ambiental e a Educação Ambiental
Bread Soares Estevam

Os cursos de graduação em história das universidades estaduais do Paraná e a política estadual de Educação Ambiental
Jó Klanovicz

O ruído infame das ecologias menores: o grindcore e as relações entre meio ambiente e educação
Rodrigo Barchi

A Ecocrítica e a Educação Ambiental no Ensino de História: uma proposta de análise a partir da revista Globo Rural
Denis Henrique Fiuza


PAINEL
Desastre da Samarco/Vale/BHP: uma tragédia em diferentes atos
Haruf Salmen Espindola, Cláudio Bueno Guerra

Desastres Ambientais e o Ensino da História
Marcos Aurélio Espindola

ENTREVISTAS
Entrevista com Prof. Dr. Paulo Henrique Martinez (UNESP)
Elenita Malta Pereira

Entrevista com Prof. Dr. Marcos Reigota (UNISO)
Elenita Malta Pereira

RESENHAS
Livro História Ambiental e Migrações: diálogos
Débora Nunes de Sá

Acesse clicando aqui

domingo, 24 de junho de 2018

Tietê, o rio que a cidade perdeu. São Paulo, 1890-1940

No primeiro meio século de regime republicano, os paulistanos de nascimento ou por adoção, assistiram à transformação de um rio cheio de vida, com peixes abundantes em suas águas, pássaros e animais em suas várzeas, em um canal estreito e sujo, dominado pelos interesses da industrialização. Este livro recupera, com argúcia ecológica e competência de historiador, a relação dos paulistanos que viviam deste e para este rio, o Tietê, que a cidade perdeu. Historiador sensível às questões do poder e das vicissitudes do ecossistema do rio Tietê, Janes Jorge revive neste livro o papel que tiveram a destruição das matas ciliares e a valorização das várzeas sobre o desaparecimento gradativo dos pássaros, dos peixes, da caça, que era o sustento dos moradores pobres. Brinda-nos com a história social dos ribeirinhos, dos grileiros das várzeas do Tietê, dos pequenos canoeiros que pescavam e sobreviviam da lenha e da caça, que foi abundante nas margens do rio até a década de vinte. Crítico e interpretativo, o historiador estabelece um forte elo entre o projeto das elites na urbanização de São Paulo e o povoamento das várzeas por ex-escravos expulsos do centro e, a partir de 1885, por imigrantes italianos e portugueses que sobreviviam da extração e do transporte da areia e da argila. O rio foi sendo dominado pela força dos interesses ferroviários, da industrialização, do esgoto e do lixo, que acompanharam o crescimento demográfico da cidade. O rio foi transformado num canal estreito e sujo, cujas memórias Janes Jorge resgata com argúcia ecológica para nossa leitura prazerosa e inquietante.

A primeira edição, impressa, estava esgotada. Uma segunda edição digital foi publicada por  iniciativa da Secretaria do Meio Ambiente da Cidade de São Paulo. Faça o download clicando aqui.

Sobre o autor

Prof. Dr. Janes Jorge - Professor do curso de graduação e do programa de pós-graduação do Departamento de História da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É pesquisador na área de História Ambiental. Autor do livro: “Tietê, o rio que São Paulo perdeu – São Paulo, 1890 – 1940”. Membro do Conselho Consultivo da Associação Nacional de História, Seção São Paulo (2014-2016 e 2016-2018), e coordenador do Grupo de Trabalho “História Ambiental da ANPUH/SP” (2014-2016 e 2016-2018). Vice Diretor da área Acadêmica do Campus Guarulhos da Unifesp (2017-2021).

quarta-feira, 30 de maio de 2018

3rd World Congress of Environmental History – 2019


O 3RD WORLD CONGRESS OF ENVIRONMENTAL HISTORY convida acadêmicos de diferentes áreas do conhecimento para incluirmos a história ambiental em uma perspectiva planetária. As categorias “Sul e Norte Global” foram criadas no século XX e são historicamente conhecidas. Elas apontam para a diversidade e a desigualdade das sociedades humanas passadas e presentes, e como elas transformaram suas paisagens, exploraram os seus recursos naturais e se conectaram umas com as outras. Os desafios colocados por essas conexões e a dinâmica de comunidades humanas e não humanas ganharam urgência no que tem sido chamado de a “Era da Grande Aceleração”. Desde os pioneiros estudos sobre a história dos rios, das cidades, das montanhas, florestas e da agricultura, até as narrativas mundiais sobre transmigração de plantas, animais, doenças, pessoas e mercadorias, historiadores e outros pesquisadores do campo das humanidades ambientais, têm contribuído para o debate, cada vez mais recorrente, sobre como enfrentar os desafios ambientais do século XXI. O comitê organizador WCEH2019 tem por objetivo promover um espaço de debates que favoreça o diálogo interdisciplinar. Desta forma, convidamos aos pesquisadores para que apresentem propostas de trabalho que privilegiem o diálogo entre os diferentes participantes e que envolva tópicos relacionados às diferenças de geracionais, geográficas e de gênero.

O WCEH2019 anuncia Bert Bilott e  Brigitte Baptiste como conferencistas

O 3rd World Congress of Environmental History, contará com duas importantes palestras plenárias, apresentando dois importantes expoentes do ativismo ambiental internacional. Estarão conosco em Florianópolis, Brasil, o advogado e ativista ambiental norte-americano Robert Bilott e a bióloga e ativista colombiana Brigitte Baptiste. Segundo Lisa Mighetto e Stefania Gallini, membros do Comitê do WCEH2019, a organização do evento está estusiasmada com a inclusão desses dois profissionais, mundialmente reconhecidos pelo seu protagonismo nas questões socioambientais.
Robert Bilott, é um ativista e advogado ambiental da empresa Taft Stettinius & Hollister. Em 2017, ele foi premiado com o Right Livelihood Award por seu importante trabalho no no combate à poluição química e mobilização social contra substâncias perigosas nos Estados Unidos. O caso mais conhecido da atuação de Bilott foi o processo envolvendo a empresa DuPont Chemical, em um processo relacionado ao envenenamento de gado na West Virgínia e a contaminação dos cursos d'aguas por aterro sanitário altamente poluente. A investigação de Bilott não apenas expôs a contaminação da DuPont, mas também alertou a opinião pública sobre os perigos que as substâncias químicas não regulamentadas representam.
Brigitte Baptiste é uma ecologista colombiana que atua na Plataforma Intergovernamental de Política Científica das Nações Unidas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, criada em 2012). Segundo Lisa Mighetto e Stefania Gallini, a ativista colombiana se define como uma ecologista de paisagem cultural, que tem se dedicado à análise do papel da biodiversidade na mudança do uso da terra, bem como as práticas atuais de gestão dentro dos contextos institucionais. Desde 2011 ela atua como Diretora Geral do Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Humboldt – o braço científico e consultor de políticas do Ministério do Meio Ambiente da Colômbia. Além da sua atuação com ativista ambiental ela também tem sido uma voz proeminente na luta pela paz na Colômbia e uma agente privilegiada na integração do que ela define como “a biodiversidade florestal”. Em 2017, ela foi homenageada com o The Prince Claus Award por suas realizações notáveis ​​como cientista e ativista.

Certamente a participação destes dois importantes ativistas no WCEH 2019 será uma experiência memorável. Convidamos a todos os membros da Sociedad Latinoamericana Y Caribeña de História Ambiental para que incluam em suas agendas e se juntem a nós no evento em Florianópolis (22 a 26 de julho de 2019).

Fonte
https://www.3wceh2019.floripa.br/

domingo, 20 de maio de 2018

As águas e a cidade de Belém do Pará: história, natureza e cultura material no século XIX

As águas e a cidade de Belém do Pará: história, natureza e cultura material no século XIX

Tese de doutoramento de Conceição Maria Rocha de Almeida, defendida na PUC-SP em 2010 



Resumo

No decorrer do século XIX, os habitantes de Belém do Pará deram prosseguimento à construção da cidade em meio ao convívio com as águas. Assim sendo, a história de Belém é também a história do controle desse elemento, o que implicou em conhecer e organizar de diferentes modos, as muitas águas presentes – desde a constituição de saberes sobre a localização das mesmas, até as opções relativas ao seu uso. A presente tese tem por objetivo apresentar uma história social da água em Belém do Pará no decorrer do século XIX, a partir do estudo de inventários, testamentos, relatórios de dirigentes, textos jornalísticos, dentre outros documentos. Nesse sentido foi considerado que os usos das águas guardaram conexões com modos de pensar relacionados às ideias de natureza, civilização e com a recorrência a uma produção material importante. Os sujeitos enfocados são diversos, como diversos, também, a etnia, condição social, gênero, nacionalidade e naturalidade dos mesmos, suscitando discussões sobre sensibilidades esboçadas em relação aos objetos e/ou recursos pertinentes à lida com a água. No interregno proposto, o processo de apropriação das águas ocorreu mediante determinadas continuidades de procedimentos, ou seja, as águas usadas por muitos moradores de Belém eram coletadas nos exteriores de suas moradias e prédios em geral, não raramente nos poços. Pelos logradouros da cidade elas foram transportadas, adentrando os interiores das casas através do uso de pipas, potes, bilhas, bacias e demais recipientes, numa reprodução de ações indispensáveis à vida na cidade. Por outro lado, o processo de relação dos habitantes de Belém com as águas também passou por mudanças, conectadas aos modos de pensar o viver numa cidade que abrigava moradores variados e que “deveriam” observar regras de progresso e civilização. Daí, a recorrência crescente aos encanamentos, às torneiras, aos lavatórios, às latrinas entre outros. Nessa perspectiva, a água foi organizada mediante princípios de invisibilidade, percorrendo ruas e prédios através do encanamento, jorrando pelas torneiras em consonância à intervenção de cada morador e sendo “esgotada” por intermédio de um sistema de canalização específico. Mas esse não foi um processo definitivamente concluído. Em meio à expansão da cidade, no decorrer do século XX e primeira década do XXI, inúmeros são os habitantes de Belém atingidos pela carência de água e às voltas com a abertura de poços e usos de baldes, latas, bacias, potes e bilhas. 

Palavras-chave: Água. Cidade.  Belém do Pará.  História Social.  Natureza.  Cultura Material.    Século XIX. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Brechó is a new black: moda sustentável


Por Ana Vieira*

A moda sustentável vem sendo assunto corrente em qualquer roda de discussão sobre moda, ou história da moda, pois é fato que já retiramos do planeta uma quantidade imensa de recursos de todas as ordens, principalmente os não renováveis, logo neste século nossa missão é inventar outras formas de existir.


Então em vários seguimentos vemos movimentos de buscar soluções para esse esgotamento do planeta, novos combustíveis, novas formas de produzir alimentos, de construir cidades, utilizar e reaproveitar a água...  E porque não outra forma de vestir, já que a indústria têxtil é uma das mais poluentes.
Segundo o site www.ecycle.com.br  a média de gasto com água para tingir e fabricar uma calça jeans é de 150L, de agua que será contaminada com pigmentos e metais pesados, o tecido jeans é feito de algodão, uma fibra que segundo Napoleão Beltrão, pesquisador dessa cultura na EMBRAPA-algodão de Campinas ( Empresa brasileira de pesquisa agropecuária)  além do enorme uso de água e agrotóxico em seu cultivo, causa esgotamento do solo e doenças nos produtores, sem contar que com a crescente demanda e decrescente produção logo estaremos reféns do produtor externo.
A produção de algodão é só um dos problemas que a indústria da moda enfrenta, temos as fibras sintéticas que a cada lavagem desprende micro plástico nos oceanos, a seda que para ser retirada mata o bicho que produz o casulo, o cânhamo, uma fibra que enriquece o solo e é usada amplamente na Europa não pode ser produzida no Brasil por conter canabidiol (alucinógeno encontrado na maconha) , o linho, fibra natural que foi um sucesso até os anos 80 teve sua fabrica mais forte, a Braspérola fechada ano passado,  logo vivemos uma crise da indústria têxtil que  passa por um momento de pouca oferta de matéria prima, e as que existem em abundancia sacrificam o meio ambiente e afastam os consumidores minimamente instruídos sobre a crise ambiental.
A descoberta e recente divulgação do uso de trabalho análogo à escravidão pelas grandes marcas da indústria da indumentária  que  instalam suas fabricas em países em crise pagando centavos por uma peça que depois será vendida por centenas de reais na lojas causaram revolta dos consumidores mais críticos que propuseram boicotes a essas marcas, como em mostrado no documentário “The true cost, o verdadeiro custo da moda” disponível nas plataformas  Netflix e Youtube.  
Então qual é a peça boa pra vestir, ecologicamente correta?
 Peguemos como guias três grandes cabeças pensante do Brasil sobre moda sustentável, Lilian Pacce, editora de moda da Vogue Brasil e apresentadora do GNT FASHON, no canal GNT,  Fernanda Cortez, do projeto Menos um lixo, e Chiara Gadaleta, dona de 3 marcas de alta costura sustentável, essas três mulheres chagaram a seguinte conclusão “ a melhor peça é a peça que já está pronta” , logo é aquela que não vai mais usar recursos naturais na sua fabricação.
O brechó é uma opção sustentável e acessível tomando como base diversos conceitos da moda consciente que veremos abaixo:
1-Usabilidades das peças: as peças que chegam ao brechó geralmente são de excelente qualidade, tecidos e materiais que não existem mais, acabamento, modelagem e corte mais bem elaborados, logo poderão ser usadas por mais tempo.
2- Custo benefício: para obter esse valor devemos dividir o valor pago pela peça pelo numero de vezes que vamos utilizar a mesma, para ser um bom custo devemos ter pagado menos de um real por uso peça, ou seja, uma calça jeans de 100 reais deve poder ser usada mais de 100 vezes.
3-Exclusividade: ao contrário das lojas fast fashion , que produzem muitas peças do mesmo modelo no brechó existem peças únicas.
4- Reutilizar: roupas de brechó serão usadas por seu segundo ou terceiro dono, que dará um novo significado e utilização a essas peças retardando seu descarte.
5- Customizar: comprar uma peça nova e cara às vezes nos impede de rasgar, costurar, bordar e personalizar essas peças, como o brechó nos oferece baixo custo podemos reciclar usando toda nossa criatividade, inventando peças mais exclusivas ainda.
6- Menos resíduos: comprando em brechós prolongamos a vida útil da peça e evitamos ou adiamos a sua chagada nos aterros sanitários.
7-Baixo custo: é muito comum encontrar roupas com marcas renomadas em brechó que provavelmente tiveram um custo altíssimo na loja por 10% desse valor.


Convencidos? O ultimo ponto importante para salientar antes da sua primeira ida ao brechó é que existe vários tipo de brechó:
Brechó gourmet: os proprietários compram as roupas de particulares e existe uma curadoria desse acervo, esse espaço parece uma butique, as peças estão separadas e limpas, geralmente vende marcas consagradas e o preço pode ser ou não muito atrativo.
Brechó bagunça: as roupas não estão limpas, geralmente separadas só por categoria, calças, saias, camisas... Mas os tamanhos todos misturados, não existe curadoria, mas é o mais divertido de “garimpar” se não se sofre com alergias e os preços são ótimos.
Bazar: feitos por igrejas e instituições de caridade servem para angariar fundos apara obras sociais, as peças são baratas, pois são doadas por pessoas que ajudam essas instituições, costumam ter dias específicos para acontecer que e são divulgados de diversas formas, desde uma placa na frente do prédio até em posts nas redes sociais. A organização varia muito de bazar para bazar, contudo chegue cedo para pegar as melhores peças.
Feiras de brechó: eventos que acontecem sazonalmente e juntam vários brechós, e algumas pontas de estoque de lojas (roupas novas), são organizados, tem muita variedade e os preços variam muito também.
Brechós vintages: curadoria muito séria, seu acervo só aceita peças originais com mais de 20 anos de fabricação, seus curadores são estudiosos de história da moda esses geralmente tem preço médio, justo para a qualidade e história da peça e são frequentados por pessoas interessadas em moda vintage, para montar figurinos e fazer pesquisas para teatro, televisão e fotografia.
Feiras de trocas: evento sazonal que junta pessoas que levam suas roupas usadas que não querem mais para trocar entre as outras pessoas que estiverem no evento, este geralmente é divulgado pelas redes sociais ou acontecem em lugares e dias definidos. Geralmente sabemos desses eventos por divulgação boa a boca.
Ao contrário do que são comumente pensados os brechós não tem só roupas velhas ou de “morto” é um mercado crescente, e vantajoso não só pra quem compra mais, ou para quem vende, é vantajoso para construir uma nova forma de consumir. Então te convidamos a perder a vergonha, escolher seu tipo de brechó, pegar sua ecobag e vamos garimpar?  

*Ana Vieira é professora de história em Salvaterra - ilha do Marajó - PA, maquiadora e aluna do curso de especialização em Ensino de História na UFPA.

sábado, 17 de março de 2018

Livro 'História ambiental, história indígena e relações socioambientais'





A diversidade temática dos estudos em História Ambiental no Brasil evidencia o crescente interesse e adesão de pesquisadores a este campo historiográfico em consolidação. Talvez essa riqueza temática esteja aliada ao fato de que os estudos históricos ambientais têm se mostrado cada vez mais interdisciplinares. É notória a participação de pesquisadores advindos de outros campos do conhecimento interessados na complexa, e cada vez mais estimulante, relação entre sociedade e Natureza no Brasil. Por isso, essa coletânea organizada por Carlos Alberto Batista Santos, Edson Hely Silva e Edivania Granja da Silva Oliveira, História Ambiental, História Indígena e relações socioambientais no Semiárido brasileiro é uma evidente prova evidente desse fenômeno (Prefácio do livro).
Baixe gratuitamente pelo clicando aqui

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Novela 'Deus salve o Rei' e a questão ambiental

'Deus Salve o Rei' é a nova novela da Rede Globo que buscou ambientá-la na época medieval. Seus protagonistas encarnam personagens com referências da monarquia, plebeus, feiras medievais, colheitas, expedições e aldeias.

Novelas de época não são novidades. O que nos chamou atenção foi o fato de que em seu primeiro capítulo, o autor decidiu tratar de um assunto bastante interessante para nós: os recursos naturais e a história.

Os personagens se dividem entre dois reinos: Montemor, que possui minério de ferro; e Artena, que possui abundantes fontes de água. Os monarcas negociam a troca desses recursos naturais e a construção de aqueduto. O primeiro capítulo apresenta a inauguração do aqueduto e a preocupação da rainha em capitalizar politicamente com o evento, ganhando maior prestígio diante do povo. No entanto, a inauguração fracassa pelo fato de que o lago que abastecia o aqueduto havia secado. Isso dá a oportunidade de Artena negociar as condições para o fornecimento de água.

É muito interessante a sensibilidade do autor em desenvolver a trama considerando o aspecto ambiental como fato indispensável para compreendermos a história, relacionado às dimensões econômicas, diplomáticas, sociais e políticas de determinado grupo social. A questão da água parece ter sido uma excelente escolha para lembrar de um problema muito atual. Faço então a sugestão, ao escrever a história, não esquecer da perspectiva ambiental.