terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

2th International Meeting on Histories of Nature and Environments



II International Meeting on Histories of Nature and Environments: Shaping Landscapes , next 21-22 november

CALL FOR PAPERS
Deadline: 15/05/2019
The Centre for History (CH-ULisboa) of the University of Lisbon, the Centre for the Humanities (CHAM) of the NOVA University of Lisbon and the Centre for Administration and Public Policies (CAPP) of the University of Lisbon are pleased to be hosting the 2nd International Meeting Histories of Nature and Environments: Shaping Landscapes in Autumn 2019.  
Over the centuries, different aspects of the human / natural world relationship have shaped a wide range of landscapes. In the broad sense, landscapes mirror the synthesis of interactions between peoples and places, reflects circulation of knowledge and technology and materialise the development and adaptation of human's societies across time and space. They are geographic realities, but also cultural ones. From these complex and multifaceted interconnections results the recognition of landscapes as a structural component of natural, historical, cultural and scientific heritage and a vital element in the creation of each community's identity.
Following the first meeting in 2017 and the discussion on the interaction between humans and the natural world, this second reunion aims to address this relationship by bringing the broad concept of landscape into the discussion, considering that landscape also serves as a historical testimony and a fundamental source for the study of the past. A knowledge that can shed a light in the long-term relationship between humans and nature, essential in the current challenging contexts of environmental changes.

Suggested but not exclusive main topics:
Animals and landscapes
Environmental and Climate change and Human impacts
Landscape as a living archive
Literary landscapes and soundscapes
Natural and Cultural Landscapes
Natural History and Science
Society and Environment
Waterscapes and Littoral changes

Submission of abstracts
The conference is open to submissions from any discipline with interests in these fields. Potential participants should submit a proposal filling out the online form available at
 http://www.centrodehistoria-flul.com/hneshapinglandscapes.html#form by May 15, 2019.
 Applicants will be notified of acceptance by July 1, 2019. 
The abstracts accepted will be published on-line. Maximum allotted time for presentations is 15 minutes.
For further information, please contact  ihnemeeting2019@gmail.com.

ORGANIZATION
Ana Cristina Roque (CH-ULisboa)
Ana Marcelino (CH-ULisboa)
Cecilia Veracini (CAPP - ISCSP-UL)
Cristina Brito (CHAM– NOVA FCSH & APCM)
Joana Gaspar de Freitas (CH-ULisboa)
Nina Vieira (CHAM – NOVA FCSH & APCM)
KEYNOTE SPEAKERS
John McNeill (Georgetown University)
Virginia Richter (University of Bern)
CLOSING CONFERENCE
Helge Jörgens (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa)

sábado, 12 de janeiro de 2019

Mairi ou Belém Tupinambá: 403 anos

por Aldrin Moura de Figueiredo *

Belém do Pará ou Mairi Tupinambá completa 403 anos. Tem Brasão e tem memória. Não sabíamos, no entanto, dessa data até a primeira década do século XX, porém desde o fim do século XIX, historiadores e diplomatas reviraram os arquivos brasileiros e europeus até encontrarem esse 12 de janeiro de 1616. Diversos nomes podem ser lembrados nessa proeza, mas os mais importantes são o Barão do Rio Branco que encorajou e financiou as pesquisas, Manoel Barata que organizou a documentação, e Theodoro Braga que deu cor ao tema diversas vezes. Antes disso, o Brasão d´Armas de Santa Maria de Belém era a grande questão. Era tradição europeia fincar o padrão em velhas e novas terras. 

Brasão da cidade de Belém 


 Nossos ônibus, os retratos dos prefeitos, nosso carnê de IPTU, tudo isso vem adornado com esse brasão. Trata-se de uma proeza da heráldica. O mito de origem está na primeira versão desse emblema, feito por Bento Maciel Parente (1567-1642), capitão-mor do Pará entre 1621 e 1626. Perdido, a notícia desse escudo ficou guardada na biblioteca do Antigo Convento do Carmo em Braga, Portugal. Em 1825, o gosto pelas marcas da nobreza nos registros da história, caro aos intelectuais do romantismo brasileiro, levou Paulo José da Silva Gama, barão de Bajé (1779-1826), a mandar reproduzir em tela a descrição do brasão. 



No final do século XIX, vários artistas e intelectuais se debruçaram sobre essa peça, entre eles o próprio Theodoro Braga e, antes dele, o francês Maurice Blaise (1868-1945), que atuou como artista e professor de desenho na última década do século XIX em Belém, cuja pintura hoje adorna a sala do prefeito. Grosso modo, trata-se de um brasão esquartelado e tudo nele o liga ao Velho Mundo e tenta-se apagar o passado indígena da cidade Tupinambá: O primeiro quarto, em azul, ostenta os braços com flores e frutas e a legenda Ver est aeternum – Tutius latent, alusivos à natureza do rio Amazonas e à geografia escondida do rio Tocantins. 

P. Sellier, Índios da foz do Amazonas (grav. Bertrand, c.1898)

O segundo, um castelo de prata com um colar de pérolas, distintivo da nobreza, do qual pende a quina portuguesa com cinco castelos de ouro em escudo azul, enfatizando a fidalguia de Castelo Branco, o fundador da cidade. A estrada em amarelo que dá acesso ao castelo alui o caminho que devem seguir os sucessos do herói da tela – o da obediência à Coroa de Portugal. 

Casal vestido de índios caçando patos. Porcelana pintada. Casa Vista Alegre, Portugal, c. 1895.

O terceiro representa um sol-poente em céu prateado, referindo a hora em que Castelo Branco ancorou na baia do Guajará. A legenda Rectior cum retrogradus, indica que o comandante esperou o desembarque para o dia seguinte. O quarto traz os ícones de um boi e uma mula num prado verde à margem de um rio, com as divisas Nequancam minima es, em alusão a Belém da Judéia, inspiradora do nome da futura capital do Pará, da qual dissera o profeta que não seria a menor de todas. 



Theodoro Braga, A fundação da Cidade de Belém do Pará, ol/s.tela, 1908


Porém, esse brasão ajudou a esconder outra memória: a Belém Tupinambá, da qual pouco se fala, embora ao longo tempo os Tupinambá estivessem em tudo, na comida, no bibelô e na aparelhagem do tecnobrega. Antes da chegada dos portugueses em janeiro de 1616, os Tupinambá chamavam de Mairi ao local onde hoje está o núcleo urbano de Belém. O antropólogo Manuel Nunes Pereira (1892-1985) registrou no seu compêndio de narrativas indígenas Moronguetá, que os índios do Rio Negro, na primeira metade do século XX, guardaram na memória um nome que vinha desde os tempos coloniais – Mairi . 

O termo já havia sido registrado em outros compêndios e vocabulários amazônicos. O conde Ermano Stradelli (1852-1926), conhecido folclorista, fotógrafo viajante ítalo-brasileiro, que realizou expedições à Amazônia nas últimas décadas do século XIX, recolhendo relatos de mitos dos povos indígenas, em especial entre os Uanana, anotou o termo Mairi, no vernáculo nheengatu, como sendo “cidade”, e seus habitantes como “mairiuára” e “mairipora”. O médico manauara Alfredo Augusto da Matta (1870-1954), por sua vez, no seu Vocabulário amazonense, dá ao termo Mairi o significado de “velha”. Ancestralidade não lhe falta em memória e identidade. Parabéns Belém, pelos 403 anos. Não adianta, tua face índia não vai morrer.

* Aldrin Moura de Figueiredo é historiador, professor da Faculdade de História e do Programa de Pós-graduação em História Social da Amazônia da Universidade Federal do Pará. Autor dos livros ´Os vândalos do apocalipse e outras histórias: arte e literatura no Pará dos anos 20´ (2012) e ´A cidade dos encantados: pajelanças, feitiçarias e religiões afro-brasileiras na Amazônia, 1870-1950´ (2009).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Aquaman, História e Natureza

O filme 'Aquaman' (2018) tem atingindo arrecadações recordes desde seu lançamento nos Estados Unidos. O post de hoje é pra compartilhar com a/o nobre leitora/o algumas reflexões que a película nos permite pensar sobre a história e o meio ambiente. Iniciando com uma citação do livro Vinte e mil légua submarinas, de Julio Verne, o filme se vale dos conflitos envolvendo espécies animais diferentes, com destaque, é claro, para a condição mestiça de Arthus Curry - o Aquaman.

A cena que revela uma passagem de sua infância, mostra o protagonista em idade juvenil visitando com seus colegas de escola o aquário da cidade. O narrador lembra que para entender a vida em terra é preciso estudar e conhecer a vida e as dinâmicas próprias do mar. Essa questão aparece em muito momentos do filme, inclusive advertindo que a paz dos litorais que concentram a maiorias dos moradores do planeta depende do 'bom convívio' com as marés.

A referência a cidade perdida de Atlântida e os percursos de Arthur faz pelo deserto do Saara nos remete a questões sobre as mudanças climáticas, o avanço do mar e um ponto muito caro à História Ambiental de que as paisagens estão sempre em mutação e que a natureza não é dinâmica e interfere diretamente no transcurso da história da humanidade ao moldar a face da Terra. 


Mapa de Atlantis elaborado por Athanasius Kircher ,localizando-a no Oceano Atlântico, publicado em Amsterdã na obra Mundus Subterraneus 1669. O mapa é orientado com o sul no topo .

Aquaman assume um tom de sarcasmo ao abordar temas polêmicos como o direito de matar e ridiculariza as pessoas que um dia acreditaram que a Terra fosse redonda. Além de divertir, o filme pode nos servir para pensar na vida marinha como um componente merecedor de atenção dos seres humanos. Vale-se também dos mistérios e desafios das profundezas dos oceanos que sempre povoaram a imaginação de poetas, pintores e leitores. 

Assim, Aquaman, o filme, suscita muitos pontos interessantes sobre a relação entre os humanos, os mares e seus habitantes. Usa também a mitologia Antiga para entreter o público contemporâneo - algo que por si só já merece um olhar atento de historiadores e cientistas sociais. 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Sexo e Natureza na Índia dos Rajás

Na Índia o sexo é compreendido de maneira distinta daquela que o Ocidente se acostumou a pensar. suas particularidades revelam, além do comportamento social dos indianos, como a natureza está presente na dimensão do prazer e da reprodução. Os relatos do final do século XIX registram métodos anticoncepcionais que valorizavam o conhecimento sobre as propriedade vegetais. Exemplo disso era o uso de supositórios à base de chorão envolvido em lã ou caldo de aleli e mel. Outra forma seria a ingestão de chá de hortelã durante a relação sexual. Os homens esfregavam sumo de alcatrão ou cebola no pênis - técnica que talvez não fosse a de melhor aroma.

Analisar as denominações dos elementos envolvendo a relação sexual nesse contexto também é bastante interessante para percebermos o quanto a natureza se faz presente. O corpo ganha grande importância como materialidade. Os órgãos genitais são medidos em polegadas e os amantes são comparados aos outros animais conforme atributos físicos: seios firmes, ancas largas, vulva pequena e bumbum redondo garantem comparação às gazelas, que fariam bom par com o 'homem-lebre' - sensível a cócegas em locais como coxas, mãos, pés e púbis.

Outra casal visto como parceiros ideais seria o 'homem-semental', que tinha preferência por mulheres robusta, e a 'mulher-égua', cujo sexo cheirava gergelim, coxas bem desenvolvidas e nove dedos de profundidade vaginal. A elite indiana ensinava aos jovens posições com denominações de elementos da natureza como 'abertura do cravo', 'bambu' 'salto da lebre', posição lótus e a garra do tigre. 


As descrições das posições indicavam também movimentos animais como 'um touro cobrindo uma vaca'. Os sons característicos do sexo eram indícios do nível de prazer e lembravam a pomba, o cuco, codorna, pato, papagaio, pardal, entre outros. Há relatos curiosos de que a cama dos homens abastados e muito acima do peso foram construídas de forma personalizadas inspiradas nos pequenos montículos de terra e pedra colocados pelos tratadores de elefantes para os paquidermes pudessem copular. As notícias dão conta de que o silêncio das cidades indianas em fins do século XIX  eram quebrados pelos gemidos noturnos dos elefantes.

Assim, os relatos históricos sobre a vida sexual dos indianos e o próprio Kama Sutra nos revelam como os humanos se inspiravam nos outros animais especialmente para classificar as experiências de amor na cama. Muito de nossa linguagem e compreensão sobre o sexo ainda repete essa conexão com a natureza.

Baseado na obra 'Paixão Índia' de Javier Moro.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A natureza no Museu Egípcio de Barcelona

O Museu Egípcio de Barcelona é uma joia que está próxima dos principais pontos turísticos da capital catalã. Com suas mais de mil peças que testemunham o tempo dos faraós, foi o primeiro museu a tratar dessa temática na Espanha. O post de hoje é sobre como os elementos do mundo natural estão presente na exposição permanente da referida instituição.

Antes de falarmos propriamente de como a natureza está representada na coleção, quero compartilhar o pensamento de como as nobres peças do Faraó mostram um sociedade bastante desigual e baseada no trabalho escravo. Todo ouro e trabalhos caros em madeira sempre me remetem a esse tipo de reflexão, no qual os mais ricos egípcios construíram suas fortunas explorando exaustivamente não apenas os recursos naturais, como também o trabalhos escravo.

Observamos peças que contam o cotidiano do uso de oferendas entre os anos 2040 e 1640 a.c. A imagem leva sobre a cabeça cestos sustentados pela mão esquerda. O artista teve o cuidado de representar ofertantes maquiadas, bem vestidas, penteadas e portando preciosas jóias, denotam que estas persianagens fossem de um grupo social abastado. A legenda nos conta que os patos eram uma das oferendas mais apreciadas e um requintado alimento, além de possuíram conotação sexual. Interessante pensar em como esse tipo de prática se perpetuou em outras civilizações, chegando até nossos dias. 


Um dos destaques da coleção é o sarcófago de íbis, construído de madeira, folhas de ouro e bronze. Provavelmente confeccionado no período Ptolomaico (302-30 a.C). A múmia do pássaro se encontra no interior do sarcófago. A funerária em formato do próprio íbis é apenas uma das muitas formas que guardam as múmias. A peça em exposição no Museu Egípcio de Barcelona se encontra na posição mais comum: patas e asas recolhidas, cabeça curvada e apoiada sobre o dorso, como se estivesse em posição de dormir.


Os móveis também foram construídos inspirados em animais. Vemos peças como tamboretes com pernas em forma de patas de leão. Cadeiras, camas e outros móveis apresentavam formas de animais em sua estrutura, principalmente felinas e bovinas. Acredita-se que uma das intenções era garantir qualidade selvagens como força, potência e robustez que seriam transmitidas magicamente aos objetos, beneficiando seu usuário. Certamente, esse tipo de prática revelava a boa condição econômica do proprietário desses móveis.

Assim, vemos a natureza influenciando diretamente não apenas as formas dos objetos, mas também a compreensão de mundo dos egípcios e todos os povos que entraram em contato com essa civilização.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Pernalonga e o ódio na floresta: deboche como resistência

Elmer Fudd
Elmer Fudd é aquele caçador que persegue o famoso coelho da Warner Bros - pernalonga. Seu comportamento é curioso na medida em que se diz vegetariano, mesmo assim, diverte-se sadicamente na floresta em busca de abater patos e coelhos. A caça esportiva é uma prática antiga que foi em muitos momentos da história realizada por nobres, reis e imperadores para os distinguir da gente comum e mostrar suposta força e masculinidade.

A figura de Elmer Fudd, chamado de  Hortelino no Brasil, permiti-nos pensar sobre a cultura armamentista, caça esportiva e violência dos humanos diante dos outros animais. A Warner Bros debocha desse fetiche pelas armas por meio do personagem Pernalonga, que ridiculariza Hortelino ludibriando o caçador. 

Nos primeiros desenhos em que aparece Elmer Fudd, na década de 1930, o conflito parece ser mais intenso e agressivo. Com o passar do tempo, a Warner transforma Hortelino em um gordinho bobo e com pouca segurança, mas firme com sua espingarda na mão. 

No episódio "Herr Meets Hare", Pernalonga enfrenta um caçador bem maior que ele, representando o Nazismo e os seguidores de Hitler. Observamos uma crítica direta a postura autoritária e a insistência em parecer 'machão' por parte do caçador. O coelho não deixa por menos, debocha e ridiculariza o comportamento violento daquele que quer ser seu algoz.



Durante o episódio um personagens parecido com um abutre ajuda o caçador capturar o debochado Pernalonga, levando-o até a presença de Adolf Hitler. O líder nazista o condecora, mas, assusta-se com a aparição de Pernalonga caracterizado do russo Josph Stalin.


Sabemos que há uma clara representação dos Estados Unidos na figura do coelho. Mas, gostaria de tomar a atitude de deboche de Pernalonga diante do fetiche das armas para pensar como as expressões artísticas utilizam sua linguagem para enfrentar o discurso de ódio que impacta negativamente as florestas.

Este post é pra dizer que apesar do aumento assustador do número de Hortelinos, os Pernalongas resistem, uns mais debochados que os outros, mas resistem, por mais perigoso que isso possa ser.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Os muitos rios do Rio de Janeiro: transformações e interações entre dinâmicas sociais e sistemas fluviais na cidade do Rio de Janeiro (1850-1889)


Tese de doutoramento apresentada ao Curso de Doutorado do Programa de Pósgraduação em História Social do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.

Autor: Bruno Capilé 

Resumo

A partir de uma perspectiva interdisciplinar e multitemática com a história como principal eixo, esta tese analisa como os rios urbanos participaram da história da cidade do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX. A sociedade urbana interagiu de maneira heterogênea com a diversidade fluvial composta de nascentes, cachoeiras, várzeas, vales, foz, ou, nos termos desta tese, alto, médio e baixo curso dos rios. No alto curso, o Estado imperial se apropriou do ambiente florestal legitimado pela necessidade hídrica para a cidade. Reflorestamentos, estradas, desvios de rios, e outras modificações domesticaram a paisagem florestal para o abastecimento e outras atividades, como passeios, banhos, descanso para cura. No médio curso, os subúrbios também foram idealizados, transformados e incorporados ao território urbano. A persistente ruralidade foi reprimida e inviabilizada pelas ideias da medicina social. Estas teorias foram a base para o planejamento urbano dos engenheiros do Império, e concebiam os corpos de águas estagnadas como principais focos de doenças. Na sequência, no baixo curso, ocorreram o aterro e a drenagem de ambientes biofísicos originais que resistiam ao crescimento urbano, como foi o caso do manguezal de São Diogo e outras áreas alagadas. A resiliência das bacias hídricas podia ser percebida na força das águas dos rios, em caso de inundações, pontes derrubadas, margens deslizadas. Na interface entre a sociedade urbana e os ambientes fluviais, outras espécies interatuaram no desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro: cavalos, burros, agrião, árvores, porcos, mosquitos e muitos outros. Esta tese conta uma história ambiental da cidade do Rio de Janeiro que desloca para o centro da narrativa estes vários agentes não-humanos conectados pelos muitos rios do Rio de Janeiro.

Palavras-chave: história do Rio de Janeiro – Império, história ambiental urbana, história; urbana, rios urbanos, natureza urbana.