sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Hóspedes ilustres: os animais e o nascimento de Jesus

adoração dos pastores (1609) - Caravaggio
E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. Evangelho de Lucas 2:7

Entre os cristão a  história do nascimento de Jesus Cristo é central e motivo das comemorações de Natal. Ao longo do tempo, os mais deferentes artistas retrataram esse episódio tornando a estrebaria um lugar agradável e aconchegante. O post de hoje é para pensarmos na presença dos animais nessa cena tão emblemática para o cristianismo.

Assim como no quadro pintado por Caravaggio, a presença dos animais é pouco notada quando essa história é contada, afinal, devido não ter vaga na estalagem, Maria deu à luz na garagem do hotel, insto é, no estábulo, onde os hospedes guardavam os animais que lhes servia de transporte.

O relato bíblico é bem claro ao dizer que Jesus nasceu na manjedoura, local onde se colocava os alimentos dos animais. Então, foi na companhia de cavalos, burros e quem sabe bois (e outros animais que poderiam habitar o estábulo como insetos) que se passou um dos episódios mais importantes do cristianismo. Esses animais ocupavam um papel muito importante na palestina, pois serviam de transporte de carga e também de humanos. O estábulo os protegiam do frio e do ataque de animais ferozes.

A leitura atenta da Bíblia nos mostra a importância dos animais nos episódios que fundamentam a fé de milhões de cristãos. Uma pergunta que volta e meia me faço é em que momento, diferente de outras religiões como o hinduísmo, o cristianismo deixou de perceber a importância da Natureza ? Para mim, a descrição do nascimento de Jesus nos chama atenção para estarmos atentos a nossa interação com os animais, tratando com respeito as outras espécies. 

Ao contrário de tudo isso que escrevemos, o Natal se transformou em uma festa do consumismo, onde uma quantidade gigantesca de lixo é produzida. O capitalismo desvirtuou esse que poderia ser um evento para pensarmos nossa condição de moradores que compartilham o plante com outras espécies. Nossa leitura apressada muitas vezes não nos permitem perceber o burrinho no fundo da estrebaria. 

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