sábado, 28 de janeiro de 2012

A cor local: natureza, arte e experiência

Tenho pensado muito sobre a importância de dar atenção à experiência dos homens na história, dito de outra maneira, como os acontecimentos cotidianos conformam a vida dos indivíduos, seu modo de pensar, como as relações sociais afetam sua visão de mundo. Tudo isso me leva a pensar como a natureza também deve ser considerada nessa análise.

Ontem assisti o filme "Local color" (em português, O mestre da vida), um drama dirigido por George Gallo que trata da vida de John Talia Jr., um estudante de artes. Ao conhecer Nicoli Seroff, ele insiste para que o ensine a pintar. Mas Seroff não só desistiu da arte, mas também da vida e quer ficar em paz. No entanto, Seroff convida John para passar uma temporada em sua casa. Nessa estadia podemos perceber alguns diálogos preciosos e a experiência moldando a vida de ambos - nesse aspecto destaco o papel da natureza na criação artística dos pintores.

Para além dessa relação da natureza viva e real influenciando a mente do pintor, gostaria de destacar o texto que inicia o filme:

"Sempre há um idiota que nos julga pelo que fazemos. As piores críticas normalmente vêm de pessoas que não fazem idéia do que fazemos. Não têm dons próprios... e que ficam irritadas quando estamos felizes... e alegremente nos provocam.

A menos, é claro, que estejamos deixando o mundo mais feio. Então, esse tipo de pessoa vai segurar nossa mão com prazer... E dançar conosco na sarjeta, dizendo que, assim como eles, vemos como aquilo é horrível e se comprazem em comemorar.

Mas qualquer idiota pode ver como as coisas estão feias. Não é preciso ter dom para isso.
Se decidir ser cínico, será uma escolha infeliz. Os cínicos normalmente têm razão.
Os românticos normalmente estão errados. Mas o romântico só precisa estar certo uma vez na vida... Quando escolher seu verdadeiro amor".

Outras frases me chamaram muita atenção também:

"O sentimento é o inimigo das elites"

"As árvores são como pessoas nuas dançando nas encostas"

"As nuvens são esconderijos dos anjos"

"Na cidade onde o homem controla totalmente o seu meio ambiente, acho que é fácil acreditar que ele é tudo mas aqui onde aceitamos as coisas como a natureza quer e não como nós queremos é libertador. A pressão diminui quando descobrimos que não somos tão importantes"
"Se vê beleza em toda parte, em tudo, sua alma é libertada, ninguém pode roubá-la".

"Na minha opinião, ateus nunca serão grandes pintores, para cirar uma arte grande, o homem deve fazer as pazes com a mortalidade e reverenciar o maior reverenciador. O dever dos artistas é elevar a alma humana, a ignorância nos leva exatamente a isso".

Quem foi esse pintor impressionista?
Nicolai Seroff foi baseado na vida do pintor russo George Cherepov (1909-1987), ficou conhecido pelo uso da cor nos mais variados assuntos, incluindo paisagens, mares e naturezas mortas. Publicou o livro Discovering Oil Painting (New York: Watson-Guptill Publications, 1971).
George Cherepov, Oil on Board "The White Horse" Signed lower right 1978 12" x 16"
Você assiste o filme completo nesse link: http://www.youtube.com/watch?v=ZkZ8hJmoULQ

3 comentários:

Moema disse...

Quanta sensibilidade e que frases bem selecionadas!
Muito bom divulgar o link!

Domingos Oliveira disse...

Ei, rapaz!!!
Tu estás te superando.
Ou é impressão minha?!?!

PS. Os ares da Maravilhosa estao te fazendo um bem!

STUDIO ZAMPIERI® disse...

Realmente, você escolheu a dedo as melhores idéias do filme. E, puxando a brasa para a sardinha brasileira, a pintura dele me reporta à Innocêncio Borghese. O filme é de uma sensibilidade extrema. Parabéns pela postagem.