segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Resenha do livro de Rafael Chambouleyron na revista Topoi

Em 2011 foi lançado pela editora Açaí "Povoamento, ocupação e agricultura na Amazônia (1640-1706)", de autoria do professor Dr. Rafael Chambouleyron.

A obra trata da ocupação e povoamento do Estado do Maranhão e Grão-Pará entre a restauração da Coroa portuguesa (1640) e o início do reinado de Dom João V (1707). O autor procurou discutir as políticas da Coroa em estabelecer um domínio mais efetivo sobre o território - a agricultura portanto é um dos instrumentos nesse contexto.

A natureza amazônica não é o objeto da investigação do livro, mas aparece ao longo da narrativa como elemento indispensável para entender grande parte da Coroa portuguesa (especialmente o capítulo 3). Nesse sentido publiquei uma resenha crítica do livro na Revista Topoi de número 23 (jul - dez 2011).

Como já informei acima, o livro foi publicado pela Editora Açaí; pela internet o livro pode ser adquirido no site da Livraria Cultura.

Trechos da resenha

autor parte da constatação de que a administração metropolitana passou a promover o controle, incentivo e ordenamento de importantes áreas da dinâmica colonial, como o povoamento, a economia, as atividades comerciais e a reprodução da força de trabalho.

O historiador aponta, ainda, que o início do plantio de cacau na região partiu de interesses particulares e não institucionais. Considera que, neste assunto, a participação atribuída pela historiografia aos jesuítas foi excessiva. Sem perder de vista seus objetivos.

Ao longo do trabalho, o autor demonstra estar atento, também, aos fatores ambientais, ao comentar a importância das epidemias de bexigas em 1640 e 1690 e as catástrofes naturais ocorridas nas ilhas açorianas (erupções vulcânicas, incêndios e terremotos) que motivaram a migração em direção ao Estado do Maranhão colonial.

Uma análise mais comprometida com as condições ambientais talvez contribuísse para a constatação de que os incentivos da Coroa não fizeram do Maranhão um produtor de açúcar tão relevante quanto Pernambuco e a Bahia. (leia a resenha completa)

Sumário do livro

I. Povoadores, degredados e soldados
“Pessoas que quiserem ir passar àquelas partes” / Soldados e degreadados / Casais das ilhas
Os irlandeses

II. Capitanias, sesmarias e vilas
As capitanias privadas / Terras e sesmarias / Vilas

III. Açúcar, tabaco e o cultivo das drogas
Açúcar e aguardente /Tabaco / O cultivo do cacau

Sobre o autor

Possui Graduação em História pela Universidade Estadual de Campinas (1991), Mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo (1994) e Doutorado em História pela University of Cambridge (2005). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal do Pará, atuando no curso de graduação em História e no Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia (que também coordena). Participa da comissão organizadora do IV EIHC.

Na disciplina História e Natureza, ministrada por ele no PPGHIS/UFPA, tive o primeiro contato com os texto de história ambiental, além de ter participado da banca de qualificação e defesa de minha dissertação.

Outros trabalhos importantes:

CHAMBOULEYRON, Rafael . João Francisco Lisboa, Vieira e a colônia. In: BEZERRA NETO, José Maia; GUZMÁN, Décio de Alencar. (Org.). Terra Matura: historiografia & história social da Amazônia. Belém: Paka-Tatu, 2002, v. , p. 67-83.


CHAMBOULEYRON, Rafael . Opulência e miséria na Amazônia seiscentista. Raízes da Amazônia, Manaus, v. 1, n. 1, p. 105-124, 2005.

CHAMBOULEYRON, Rafael . Plantações, sesmarias e vilas. Uma reflexão sobre a ocupação da Amazônia seiscentista. Nuevo Mundo-Mundos Nuevos, EHESS, Paris - FRANÇA, v. 6, p. 2260, 2006.

CHAMBOULEYRON, Rafael ; ARENZ, Karl Heinz ; NEVES NETO, Raimundo Moreira das . "Quem doutrine e ensine os filhos daqueles moradores". A Companhia de Jesus, seus colégios e o ensino na Amazônia colonial. Revista HISTEDBR On-line, v. N.Esp., p. 61-82, 2011.

CHAMBOULEYRON, Rafael ; BOMBARDI, Fernanda Aires . Descimentos privados de índios na Amazônia colonial (séculos XVII e XVIII). Varia História (UFMG. Impresso), v. 27, p. 601-623, 2011.

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