terça-feira, 6 de abril de 2021

História ambiental nos STs da ANPUH 2021

31º Simpósio Nacional de Historia da ANPUH 

O prazo termina em 7 de abril para submeter comunicações:

ST 058. História Ambiental: ciência, fronteira e biodiversidade

Eunice Sueli Nodari (Universidade Federal de Santa Catarina), Lise Fernanda Sedrez (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Sandro Dutra e Silva (UEG/UniEVANGELICA)

Resumo: Este simpósio temático (ST), vinculado ao GT Nacional História Ambiental da ANPUH, visa reunir pesquisadores(as) com diferentes formações acadêmicas, dedicados(as) aos estudos ambientais em perspectiva histórica, para apresentar e discutir suas pesquisas. O ST adota três eixos para a discussão: ciência, como lugar da produção do conhecimento e da interpretação das sociedades humanas em interação com o mundo biofísico; a fronteira, móvel e dinâmica, espaço de contato entre diferentes grupos humanos e não humanos, lugar da alteridade e do conflito, e da descoberta de novas situações; biodiversidade, compreendida como parte dos ecossistemas e como patrimônio que resulta das múltiplas relações entre natureza e cultura. O ST valorizará a abordagem da História Ambiental Global, por promover a compreensão de complexidade dos processos socioambientais e acolherá trabalhos que tenham como temas: relações entre ciência e sociedade em perspectiva histórica; interações entre cultura e natureza; biodiversidade nas fronteiras; ciência, políticas e práticas de conservação da biodiversidade; história da ciência; a natureza como objeto da ciência; transformações da paisagem em regiões de fronteira; biomas brasileiros no olhar da ciência; circulação global de ideias, experiências, pessoas, micro-organismos, plantas e animais; patrimônio cultural, ciência e biodiversidade, entre outros.

https://www.snh2021.anpuh.org/simposio/view?ID_SIMPOSIO=58


ST 059. História Ambiental: território, política e memória

Ilsyane do Rocio Kmitta (UEMS), Janes Jorge (História - Unifesp), Wesley Oliveira Kettle (Universidade Federal do Pará)

Resumo: A história ambiental tem registrado e problematizado diferentes perspectivas sobre a sustentabilidade e sobre os conflitos socioambientais que eclodem em diferentes contextos e temporalidades, desde temas clássicos, como a expansão do agronegócio sobre áreas naturais e os povos que ali viviam até novos desafios como o negacionismo. Agregamos a isso, os desafios da sustentabilidade e desenvolvimento seja em âmbito local, quanto regional ou global; os movimentos sociais, a antropização dos espaços, as paisagens culturais, as transformações naturais do mundo contemporâneo são temáticas que exigem estudos no campo das ciências humanas. O intuito é propiciar o diálogo entre diferentes abordagens teórico metodológicas e viabilizar a troca de informações entre pesquisadores, reunindo trabalhos que investigam as correlações entre História, território, política, memória e natureza, incluindo a dimensão simbólica.

https://www.snh2021.anpuh.org/simposio/view?ID_SIMPOSIO=59


quarta-feira, 31 de março de 2021

Minicurso: História Ambiental e os dilatados Sertões do Norte nos séculos XVIII e XIX

 


MC 18 - História Ambiental e os dilatados Sertões do Norte nos séculos XVIII e XIX     




Sinopse: Nos séculos XVIII e XIX os sertões do Brasil estiveram em disputa, principalmente em relação às  relações com o mundo natural. Essa era uma questão crucial às tramas e negociações a envolver os projetos seja da Coroa portuguesa ou da Corte do Império brasileiro no Rio de Janeiro e as  particularidades do território dos sertões, com sua grande diversidade de povos e de seus outros  traços biofísicos. Nesse âmbito, para além de mero cenário estático para a ação dos indivíduos,  buscamos compreender o chamado mundo natural como um aspecto fundamental nos embates em  torno do projeto colonial como na construção do Império brasileiro. O nosso objetivo neste minicurso, então, é propor uma abordagem que lance mão de metodologias da história ambiental, história  política e da história da cartografia com o fito de refletir sobre os sentidos dos vastos sertões do  Norte durante os séculos XVIII e XIX, envolvendo áreas com traços biofísicos bastante  particulares, como zonas correspondentes hoje aos biomas de Caatinga e da Amazônia. Para isso,  analisaremos fontes como as correspondências dos capitães-mores e ouvidores de capitanias do  Norte, mapas, relatórios de presidente de província e anais parlamentares.






Ministrantes: 


Antonio José Alves de Oliveira - Doutorado em História - UFSC 


Gabriel Pereira de Oliveira - Doutor em História Social - UFRJ e Professor do IFRN 


Wesley Oliveira Kettle - Doutor em História Social - UFRJ e Professor da UFPA



Para se inscrever, consulte o nosso site (link na bio do Instagram ou no site https://doity.com.br/sehis), especificamente, no menu “Inscrições”. Em caso de dúvidas, contate a equipe de organização, pelo e-mail sehis.sertoes@gmail.com.


Identidade visual do evento:

A árvore representada é a  Cecropia sciadophylla Mart. (Embaúba, Imbaubão, Imbaúba-gigante), que integra a “Relaçam das madeiras descriptas que se comprehendem no Termo da Villa da Caxoeira : com amostras e estampas exactas das mesmas". Trata-se de um conjunto de desenhos sobre papel a bico de pena com tinta preta e aquarelados com tonalidades diversas, feitos por Joaquim de Amorim Castro no final do século XVIII a partir de observações no Recôncavo e nos sertões baianos. Fonte: AHU_ICONM_BAHIA_FAUNA-FLORA, D. 33 - 78.

domingo, 21 de março de 2021

Grupo de pesquisa História e Natureza - agenda 2021

O Grupo de pesquisa História e Natureza (UFPA/CNPq) reuni pesquisadoras e pesquisadores, estudantes e profissionais das mais diversas áreas do conhecimento que se interessam em investigar temas ligados a interface meio ambiente e sociedade no tempo. 

A seguir divulgamos o calendário de atividades neste 1º semestre de 2021.

Caso queira participar, envie um e-mail para grhin@ufpa.br

1º Semestre 2021

MARÇO

10 - reunião de planejamento

31 - Clube de leitura (texto para estudo e debate)
MORIN, Edgar. El pensamiento ecologizado. Gazeta de antropología, v. 12, 1996.

ABRIL

dia 08 - Itinerário botânico - Museu Nacional de arte antiga (Portugal)

dia 14 - Plantas na história: roteiro virtual pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Apresentação: Prof. Dr. Bruno Capilé (LABHEN-UFRJ)
Horário: 09:00
Local: Plataforma Google Meet

dia 20 - Palestra sobre Edgar Morin
Profa. Bruna Vasconcelos (Rede pública estadual do Paraná)
Tema: História ambiental, ensino de história e a teoria da complexidade de Edgar Morin

dia 28 - História do clima por meio da pintura
Palestrante: Prof. Pedro Isidoro (Universidade Aberta - Portugal)

dia 28 - Clube de leitura

MAIO

dia 12 - Mesa 'Hidrelétricas na ditadura brasileira'
Nathalia Capellini (Université de Versailles SQY - Paris Saclay)
Matthew Johnson (Georgetown University)
Mediador: Bruno Capilé (Laboratório História e Natureza)
Horário 17h pelo canal Historix

Dia 26 - Clube de leitura

JUNHO

Curso de extensão 01 a 29 de junho

dia 09 - Palestra

Clube de leitura (data a definir)


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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Cidade invisível, cidade dos encantados

por Aldrin Figueiredo

Acabei de assistir, nesse carnaval chocho, o último capítulo da série brasileira para a Netflix Cidade Invisível. Merece outra temporada e espero que incentive os produtores e diretores nessa trilha do fantástico com gosto local. O personagem central da trama é um fiscal ambiental, interpretado pelo ator Marco Pigossi, que perde a esposa (Julia Konrad) e acaba se envolvendo em uma batalha entre a realidade e um mundo invisível habitado por seres fantásticos, todos muito conhecidos do folclore brasileiro. Está mais, no entanto, para X-Men do que para Sitio do Pica-Pau Amarelo, com todo o suspense que se tem direito.



O nome da série Cidade Invisível se refere à cidade dos encantados, uma espécie outra dimensão da realidade, que pode ser adentrada pelos seres encantados ou pelo pajé (que tem esse dom xamanístico de transitar entre os mundos). Na série o tema é tratado de modo muito criativo, embora pudesse aprofundar os efeitos especiais. Quem já teve oportunidade de conversar com um pajé ou curador, sabe que na terra do fundo, os seres inanimados podem ganhar vida, uma cadeira pode ganhar a forma de onça, por exemplo. Ou, como me disse uma vez dona Zenaide, pajé do Cucuí, em Alenquer: lá é igual aqui, só que diferente. (algo Guimarães Rosa). É o duplo, o espelho, outro lado. Como vemos, o assunto já foi tema de Platão, de Freud, de Lewis Caroll, de Dalcídio Jurandir.

Acho que a maioria das pessoas vai estranhar, por exemplo, a Cuca, que na série não tem nada que ver com a jacaroa de Monteiro Lobato. A cuca Netflix (muito bem vivida por Alessandra Negrini) é muito mais próxima à Matinta-Pereira, bruxa amazônica, que tem entre seus fados a capacidade de voar, na forma de um papagaio. Na série, a Cuca vira borboleta, algo absolutamente comum no imaginário amazônico colonial, inclusive descrito com toques realísticos no Livro da Visitação do Santo Ofício ao Estado do Grão-Pará, em 1764, com detalhes sobre os grandes olhos da mariposa. Seu poder é o de penetrar nos sonhos, durante a vigília, e visitar a memória e o inconsciente das pessoas.

Outro personagem interessante é o do Saci (Wesley Guimarães), cuja narrativa está entre o drama da escravidão, quando perde a perna depois de um castigo, e a esperteza do menino que some no redemoinho. O saci, descrito no século XIX era como o pesadelo, preto retinto, de capuz vermelho, que aparecia no sonho. Pádua Carvalho anotou em Belém uma detalhada narrativa dessa história em 1886, que fez com que isso chegasse a Paris, pelas mãos de Santa-Anna Nery e do príncipe Roland Bonaparte.

Há também o Tutu, apelido do catitu. O mito do homem que vira porco, algo próximo mas diferente do lobisomem, labisônio, homem-cachorro, homem-lobo. O Tutu (Jimmy London) é o porco que mete medo nas correrias e que faz o som da mandíbula das queixadas. Eu mesmo, encontrei, na pesquisa do mestrado, uma história de um desses, em Belém, que fazia visagem no largo da Sé. Na série se aproxima mais do Tutu Marambá, que alguns consideram de origem africana. Tutu viria de Quitutu, que em quibundo significa justamente ‘comer’. É de onde vem a palavra quitute ou, por esse lado, o tutu de feijão dos mineiros, por exemplo. Assim também a Iara, que nem precisa falar nada, mas que na série é sereia e tem o poder de hipnotizar pelo olhar e pelo canto, dentro e fora da água. É preta (a linda Jéssica Córes), meio Marabô ou Oguntê, do repertório afro-brasileiro, pois diferente da mãe d´água cabocla, essa sai da água tranquilamente, veste roupa e sobe ladeira.

Os grandes entes da série são o boto (Victor Sparapane) e o curupira (Fábio Lago, estupendo). O boto não vou falar porque é spoiler demais. Tem que ver. O curupira faz todo o sentido, pois é de fato o grande protetor da mata. Domina o fogo no cabelo e mete medo até no Jurupari. A Netflix que lute! Teria que ler Stradelli e Nimuendaju, e conversar com a dona Cruzinha no Pacoval, sobre o Jurupari Taraca. E, por fim, o trunfo da série sem dúvida está no modo de contar do diretor Carlos Saldanha. O cineasta e animador brasileiro é mais conhecido por seu trabalho no exterior, inclusive foi indicado duas vezes ao Oscar e é responsável pelas animações A Era do Gelo, Rio e O Touro Ferdinando. Vale a pena assistir a série principalmente para quem nunca ouviu nada disso, nem leu ou não sabe de nada sobre o assunto, pois terá um olhar contemporâneo dos mitos indígenas, que fizeram compor o chamado folclore brasileiro, para lembrar Câmara Cascudo, cujo livro é folheado na trama. É o local de modo universal, e ao invés de pitoresco, o existencial.

Aldrin Figueiredo é professor na Universidade Federal do Pará e autor da obra 'A cidade dos encantados: pajelanças, feitiçarias e religiões afro-brasileiras na Amazônia: 1870-1950'.