domingo, 6 de janeiro de 2019

Sexo e Natureza na Índia dos Rajás

Na Índia o sexo é compreendido de maneira distinta daquela que o Ocidente se acostumou a pensar. suas particularidades revelam, além do comportamento social dos indianos, como a natureza está presente na dimensão do prazer e da reprodução. Os relatos do final do século XIX registram métodos anticoncepcionais que valorizavam o conhecimento sobre as propriedade vegetais. Exemplo disso era o uso de supositórios à base de chorão envolvido em lã ou caldo de aleli e mel. Outra forma seria a ingestão de chá de hortelã durante a relação sexual. Os homens esfregavam sumo de alcatrão ou cebola no pênis - técnica que talvez não fosse a de melhor aroma.

Analisar as denominações dos elementos envolvendo a relação sexual nesse contexto também é bastante interessante para percebermos o quanto a natureza se faz presente. O corpo ganha grande importância como materialidade. Os órgãos genitais são medidos em polegadas e os amantes são comparados aos outros animais conforme atributos físicos: seios firmes, ancas largas, vulva pequena e bumbum redondo garantem comparação às gazelas, que fariam bom par com o 'homem-lebre' - sensível a cócegas em locais como coxas, mãos, pés e púbis.

Outra casal visto como parceiros ideais seria o 'homem-semental', que tinha preferência por mulheres robusta, e a 'mulher-égua', cujo sexo cheirava gergelim, coxas bem desenvolvidas e nove dedos de profundidade vaginal. A elite indiana ensinava aos jovens posições com denominações de elementos da natureza como 'abertura do cravo', 'bambu' 'salto da lebre', posição lótus e a garra do tigre. 


As descrições das posições indicavam também movimentos animais como 'um touro cobrindo uma vaca'. Os sons característicos do sexo eram indícios do nível de prazer e lembravam a pomba, o cuco, codorna, pato, papagaio, pardal, entre outros. Há relatos curiosos de que a cama dos homens abastados e muito acima do peso foram construídas de forma personalizadas inspiradas nos pequenos montículos de terra e pedra colocados pelos tratadores de elefantes para os paquidermes pudessem copular. As notícias dão conta de que o silêncio das cidades indianas em fins do século XIX  eram quebrados pelos gemidos noturnos dos elefantes.

Assim, os relatos históricos sobre a vida sexual dos indianos e o próprio Kama Sutra nos revelam como os humanos se inspiravam nos outros animais especialmente para classificar as experiências de amor na cama. Muito de nossa linguagem e compreensão sobre o sexo ainda repete essa conexão com a natureza.

Baseado na obra 'Paixão Índia' de Javier Moro.

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